Solução para Inventários

Processo de inventário utilizando drone e LIDAR em ambientes indoor – IHM Stefanini

 

Trabalhar com inovação requer conceber novas soluções para situações que, por nunca ter havido recurso para evita-las ou amenizá-las, podem sequer ser percebidas como problemas. O hábito e a percepção de normalidade podem contribuir para a sensação de que “sempre foi assim” e de que não há alternativa, e é preciso educar o mindset enxergar além e, mais do que isso, ter ousadia para tentar colocar em prática soluções que a princípio pareceriam impossíveis.

Em 2017 começamos um diálogo sobre uso de tecnologias e inovação com uma grande empresa de fertilizantes, no sentido de encontrar soluções para um problema que representava inúmeros riscos à segurança de profissionais e com resultados ruins sendo obtidos: a maneira como era feito o inventário dos estoques.

Os produtos são estocados em pilhas dentro de armazéns, divididos em boxes – o inventário era feito uma vez por mês, de forma manual e visual. A disposição dos materiais fazia com que os profissionais inventariantes escalassem pilhas de até 12 metros de altura para realizar medições, feitas com o uso de trenas laser e aproximações geométricas. O processo todo, entre medições, cálculos de volume do material e correções nos sistemas de produção, levava cerca de dois dias, tendo uma margem de erro de pelo menos 5%. A feitura do inventário exigia a interrupção da operação do armazém durante um período de 4 horas, e os profissionais envolvidos, ao escalar as pilhas, estavam expostos a riscos e a grande desgaste físico. Em resumo: era um processo difícil, lento, arriscado e que acabava saindo caro para a empresa.

Com a evolução das tecnologias óticas baseadas em laser, que permitem usar propriedades da luz refletida para obter uma série de informações sobre objetos distantes, nos ocorreu a possibilidade de usar tais tecnologias para fazer a medição de maneira mais rápida e precisa. A medição, no entanto, teria que ser feita do alto, de forma que fosse possível contemplar todas as pilhas, o que poderia ser feito com o sensor a bordo de um drone. Os desafios, no entanto, eram muitos, já que o voo deveria ser realizado de maneira autônoma e o fato dos armazéns serem fechados impedia o uso de GPS, sendo necessário utilizar outros sistemas de orientação e navegação.

Foram vários meses de pesquisa, desenvolvimento e testes, com vários problemas e dores de cabeça ao longo do processo. O primeiro sistema de navegação testado não se mostrou uma boa alternativa, tendo sido preciso substituí-lo; muitas hipóteses testadas mostraram-se falhas; o drone caiu em mais de uma ocasião e houve diversos momentos em que nos perguntamos se a solução era de fato realizável, se conseguiríamos efetivamente entrega-la. É preciso enfrentar a possibilidade de se perder meses de trabalho, que está sempre presente quando se propõe a inovar, sabendo que mesmo essa perda é relativa, pois sempre há aprendizado no processo e aquela passa a ser uma hipótese a menos para a solucionar aquela questão. Felizmente, esse acabou não sendo nosso caso. Depois de vários testes, a solução foi finalmente validada.

Hoje o inventário pode ser realizado de forma automatizada, com a mínima intervenção humana e em cerca de 10 minutos, o que, ao minimizar o período de parada dos armazéns, aumenta em muito a produtividade. Além disso, pode-se realizar os inventários com maior frequência e identificar eventuais desvios no estoque. A margem de erro no volume medido caiu para menos de 2%, e apenas 1 profissional é demandado para o acompanhamento do processo, o que reduz enormemente o custo e os riscos à saúde envolvidos. Tudo se mostrou, afinal, uma questão de enxergar possibilidades de otimização, ousar novas soluções e ter determinação e resiliência durante o processo de desenvolvimento.